À primeira vista, pode parecer contraditório que em um setor altamente tecnológico, como o de TI (Tecnologia da Informação), possa existir práticas retrógradas no ambiente do trabalho e no relacionamento com os trabalhadores. No entanto, a realidade nos mostra que não é.


Uma das coisas que eu gosto mais em ter um blog, é poder desabafar e gritar quando não posso fazer em uma rede social por motivos éticos. Pra quem ainda não sabe, trabalho com TI há mais de 4 anos. Já fui a única mulher da equipe durante uns dois anos e nunca, nunca mesmo, fui tratada com indiferença, sofri algum tipo de rejeição ou preconceito ou até mesmo assédio sexual.

A ideia de igualdade de tratamentos e de oportunidades, no entanto, era acompanhada por discursos que reforçavam diferenças: as mulheres seriam melhores atendendo clientes, as mulheres seriam melhores trabalhando como analistas, as mulheres seriam menos capazes de programar. Entre outros achados, pude notar que a discriminação das capacidades técnicas das mulheres cria uma divisão sexual do trabalho dentro do setor: enquanto eles cuidam da parte hard da TI, elas cuidam da soft. E foi exatamente isso que aconteceu comigo hoje!

Sempre fiz atendimento de hardware, inloco ou via remoto. Nunca fui impedida de ir pelo fato de ser mulher. Claro, em alguns casos ~infelizmente~ devemos evitar fazer atendimento em salas individuais de clientes, pois precisamos evitar certos desconfortos. O que no normal não deveria acontecer porque nós mulheres devemos ser respeitadas. Mas enfim, ouvi do meu mais novo chefe que não poderia fazer atendimento inloco para evitar assédio sexual... Oi? Sério isso? Quer dizer que eu tenho que me privar do que minha profissão pede ou mudar de profissão por conta disso? 


Em uma pesquisa intitulada de “Elefante no Vale”, que detalha experiências de assédio sexual e moral em empresas do Vale do Silício, 60% das mulheres que trabalham com T.I. já sofreram assédio sexual. O assédio sexual é constituído por atos, insinuações, contatos físicos forçados, convites inconvenientes, que se apresentem como condição clara para manter o emprego, influenciar em promoções, em prejuízo ao rendimento profissional, que causam humilhação, insulto ou intimidação. 

Isso me faz ver os motivos dos quais muitas mulheres desistem da área de TI ou apenas nem querem começar. Eu poderia ter escolhido trabalhar com programação, com gestão, mas não, eu escolhi trabalhar com suporte! Fazer atendimento, pegar pesado na parte de hardware e eu quero poder trabalhar livremente. Sem ser impedida pelo simples fato de ser mulher. Admitir que a diferença entre os sexos ainda gera desigualdade no mercado de trabalho e construir políticas reais de combate ao assédio e à discriminação seriam a única maneira de essas e outras empresas construírem um ambiente de trabalho equitativo e igualitário. Uma pena que ambas não tenham aproveitado a oportunidade. 

Então, na minha opinião é que devemos mostrar que somos tão boas quantos os homens em qualquer profissão. Que merecemos respeito e que as empresas fiquem do nosso lado. Não somos nós que devemos ser chamadas a atenção, entenderam? Não devemos desistir da nossa profissão, do que gostamos de fazer por falta de uma palavra tão importante: RESPEITO!

O assédio sexual é difícil de ser comprovado pelo fato de envolver apenas duas pessoas: o assediador e o assediado. Sem contar que muitas vítimas, por receio, preferem o silêncio, com medo de perder o emprego – principalmente se dependem dele para seu sustento e o da família, e aí são inevitáveis as consequências psicológicas, como a depressão. NÃO SE CALEM!














Um Comentário

  1. Oi, Mayara!
    Que triste isso... cada vez mais eu vejo pessoal (em blogs ou nas redes sociais mesmo) falando sobre assédio e sobre não poderem exercer com totalidade suas funções por causa de preconceito. No tempo em que estamos, isso nem deveria mais existir. Deveríamos, nós mulheres, ser tratadas da mesma forma que os homens. Estamos na empresa para trabalhar tanto quanto eles, e essa distinção não deveria nem sequer ser cogitada. Mas infelizmente, não é isso que acontece. Eu não tenho esse problema no meu local de trabalho, mas consigo reconhecer a dificuldade de quem passa por isso. É triste...

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